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terça-feira, 9 de abril de 2013

Lugares da Bíblia - Rio Jordão



Hoje separando Israel da Jordânia, o famoso rio fertiliza uma ampla área, que foi cenário de alguns dos mais importantes trechos bíblicos, incluindo o batismo de Jesus. Mas a degradação por parte do homem está matando as águas que representam a vida





O vale do rio Jordão, na fronteira entre Israel e Jordânia (cujo nome vem do famoso curso d’água), é frequentemente citado na Bíblia, tanto no Antigo Testamento (175 vezes) quanto no Novo Testamento (15 vezes).

Foi olhando o fértil e irrigado vale ao longe, que Abraão e Ló combinaram a partilha das terras em Gênesis 13. Às margens do rio Jaboque, um afluente do Jordão, Jacó lutou com um misterioso homem (um anjo) até que este o abençoasse, em Gênesis 32, mudando seu nome para Israel (“o que luta com Deus”, embora outras traduções mostrem “o que luta e vence” ou “o que reina com Deus”). Mais tarde, os profetas Elias e Eliseu atuavam em ambas as margens do rio.


Ao fim da peregrinação pelo deserto após saírem do Egito, os hebreus atravessaram o Jordão, cujas águas pararam e se abriram (Josué 3. 15-17) como no Mar Vermelho  e chegaram à Terra Prometida. O próprio Jesus Cristo foi batizado em suas águas por seu primo, João Batista. A passagem pelo rio ganhou vários significados em várias culturas e suas derivadas por causa desses dois episódios. Para os judeus, lembra a conquista após longo e árduo caminho. Na tradição cristã, por exemplo, a expressão “cruzar o Jordão”, mais comum nos países de língua inglesa, (“crossing Jordan”) significa vencer a morte, baseada no batismo: o homem natural anterior morre, renascendo para Deus como nova criatura.

“Rio que desce”
 A palavra Jordão deriva do hebraico yar-dane (“aquele que desce”, “descendente”). Bastante apropriado, pois suas quatro nascentes ficam na alta região do Monte Hermon, com as águas seguindo vale abaixo passando pelo Lago Huleh, pelo Mar da Galileia (na verdade um grande lago salgado, também conhecido como Lago Tiberíades), dele seguindo quase em linha reta por 105 quilômetros até o Mar Morto. Alguns estudiosos defendem a tradução “lugar em que se desce” (bebedouro).

Com mais de 200 quilômetros de comprimento, sua maior parte chega a ficar abaixo do nível do mar (até 390 metros) rumo à foz. Ele chega com água doce até o Mar da Galileia, tornando-se salgado a partir dele, levando ainda mais sal para o Mar Morto, onde termina. Conforme o trecho, sua profundidade varia entre 1 e 3 metros, e a largura chega a 30 metros em alguns lugares.

Morte anunciada
Contraditoriamente, o rio que representa “vencer a morte” está morrendo. Um recente relatório da organização não-governamental (ONG) Amigos da Terra do Oriente Médio (FoEME, na sigla original) está sendo devastado pela exploração da água, poluição e pouco caso das autoridades das comunidades à suas margens. Com o curso desviado para o abastecimento de água de várias localidades, o Baixo Jordão pode sumir em breve, segundo o documento do FoEME. Suas águas e as de seus afluentes são partilhadas por Israel, Jordânia, Síria e Cisjordânia.

A ONG relata que alguns quilômetros ao sul do Mar da Galileia, uma barragem corta abruptamente o rio. Depois da contenção, o esgoto é lançado diretamente no leito. A diminuição do fluxo de água aumenta ainda mais a salinidade. Israel trabalha atualmente em um projeto para e recuperação de um rio tão importante para vários países e culturas. Planos bem parecidos também estão em andamento por parte da Síria e da Jordânia. O desvio da água doce diminuiu consideravelmente a fertilidade das margens, e a biodiversidade caiu em 50%, segundo o FoEME.

terça-feira, 26 de março de 2013

Lugares da Bíblia - Safit



Arqueólogos confirmaram que a cidade era a Gate bíblica, capital dos maiores inimigos de Israel, os filisteus





Muito pelo fato de os filisteus estarem sempre em movimento, os arqueólogos tinham grande dificuldade em determinar qual era a capital daquele povo, o maior inimigo de Israel nos relatos bíblicos.

A descoberta de um grande sítio arqueológico entre as colinas da Judeia e o mar Mediterrâneo, elucidou a questão. Safit foi a capital dos filisteus, a Gate da Bíblia.

Sobre as ruínas milenares, árabes construíram uma aldeia habitada até o fim do século 19, o que “escondeu” Safit de estudiosos anteriores. Com a descoberta e as escavações, além de ser revelada uma grande cidade para os padrões do Antigo Testamento (500 hectares), foram encontrados indícios de civilização cananeia, substituída pela filisteia somente no final da Idade do Bronze.

Evidências no local mostram que a cidade permaneceu fortificada na Idade do Ferro, época de Saul e Davi.

A colina formada pelo sítio arqueológico (um “tel”, como é designada em hebraico) tem 100 metros de altura, ladeada ao norte e a oeste por penhascos de calcário, onde cavernas foram esculpidas na rocha macia, porém firme.

Confirmação
Várias escavações começaram desde o final do século 19, mas ficaram incompletas. Depois desse período, abandonado, o local novamente serviu de base para uma aldeia árabe, até perto de 1948, quando foi instituído o Estado de Israel.
Em 1996, a Universidade de Bar-Ilan empreendeu um trabalho definitivo. Confirmaram que ali ficava Gate, de onde Golias saiu para a histórica luta contra Davi no Vale do Elá. Era a maior e mais importante das cinco cidades filisteias no sul de Israel.

Novas escavações em 2005 revelaram um grande fosso ao redor das muralhas da cidade, com 5 metros (m) de profundidade por 4 m de largura.

Gate foi devastada no século 9 antes de Cristo (a.C.), passando a pertencer ao reino de Judá. O pouco que sobrou foi devastado mais tarde pelas tropas de Senaqueribe, rei da Assíria. Os sobreviventes foram transferidos para a cidade vizinha, Khirbet Safiye, 1 quilômetro ao leste.

Em 1142 depois de Cristo (d.C.), os cruzados levantaram no tel uma Fortaleza da Guarda Branca, tomada e destruída por Saladino em 1187.



Golias
Hoje, a área é o Parque Nacional de Tel Safit, com boa estrutura para os visitantes, como estacionamentos e trilhas monitoradas. Nas margens do rio próximo até hoje são encontradas árvores frutíferas cultivadas pelos antigos moradores.

No local foi encontrada a famosa Inscrição de Safit, ou Inscrição de Golias, uma placa de cerâmica com o nome do gigante filisteu, datada do período em que o personagem era muito famoso por suas vitórias, temido em toda a região – até cair diante de um garoto temente a Deus com sua funda.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Lugares da Bíblia - A Rota das Especiarias



Várias cidades foram estabelecidas ao longo do caminho antigamente percorrido por comerciantes árabes com produtos do Oriente





Nos tempos do Antigo Testamento, os nabateus eram comerciantes nômades originários da Península Árabe. No século 4 antes de Cristo (a.C.), fizeram famoso um caminho pelo deserto do Neguebe, por onde passavam com suas enormes caravanas de camelos (os “caminhões do deserto” na época) repletas de tecidos finos, temperos, essências e outras mercadorias provenientes do Oriente. Era a famosa Rota das Especiarias.

Originalmente, os nabateus se dedicavam à atividade pastoril. Depois, como comerciantes, cresceram consideravelmente em importância, pois muitas cidades dependiam deles para adquirir certos bens. Não à toa, os “caixeiros viajantes” de quem temos informações na história do Brasil eram também de origem árabe, levando a cidades remotas produtos industrializados que não chegariam a elas de outra forma. Voltando ao Neguebe, os nabateus detinham o monopólio do comércio por um motivo muito simples: sabiam como ninguém dos segredos e armadilhas do traiçoeiro ambiente do deserto, tanto no que dizia respeito à natureza quando à atividade humana.

Longo caminho
Os nabateus adquiriam e vendiam itens oriundos do Extremo Oriente, especialmente da área onde hoje ficam países como a Índia, Tailândia, China e Coreia, cujos povos ainda fazem farto uso de especiarias. A maioria dos produtos chegava daquela região em navios que aportavam em Gaza, de onde eram triados e enviados a vários lugares, como a distante Roma.

As especiarias eram maioria entre os itens, justificando como a rota ficou conhecida. Mas também eram transportados e comercializados produtos como perfumes, madeiras, tecidos finos, ervas, pedras preciosas, medicamentos e metais.

Embora os nabateus fossem nômades e morassem em tendas, construíam arrojados imóveis para seus mortos, como hoje podemos ver em cidades como Petra e Egra, minuciosamente entalhados diretamente na rocha.

Aos poucos, alguns nabateus deixavam a vida itinerante e começavam a se estabelecer nas cidades ao longo da rota, famosos por suas técnicas em represamento de águas, cultivo de uvas, criação de cavalos e entalhes em pedra.

Segredos do deserto
Os comerciantes árabes eram os únicos a dominar alguns segredos da região desértica do Neguebe. Sabiam dos pontos secretos onde a água era encontrada, e sabiam represá-la com competência, construindo sistemas de condução e cisternas, garantindo o líquido sempre fresco e puro para seu povo viajante. E mantinham segredo sobre isso, garantindo seu monopólio na rota por séculos.

Um desses pontos é o Ein Saharonim, onde hoje estão ruínas de uma importante parada da Rota das Especiarias, em que os viajantes descansavam, tratavam dos animais, reabasteciam-se de água e mantinham-se a salvo dos abundantes ladrões e assassinos do deserto. Foram paradas como Ein Saharonim que originaram algumas cidades, que cresciam à sua volta.

Para se ter uma ideia da importância dos nabateus para o comércio da época, eles chegaram até a fornecer betume (asfalto, piche) da região do Mar Morto para os egípcios, que o usavam para atividades como vedação, colagem e até na mumificação de seus cadáveres.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Lugares da Bíblia - Monte Gilboa


Região onde Saul e Jônatas morreram em combate é hoje abundante em agricultura e área de proteção ambiental





A área hoje chamada Monte Gilboa é, na verdade, uma cadeia de morros isolados, na parte norte da Israel Central. Foi lá que o rei Saul e seu filho, Jônatas, tombaram em sangrenta batalha contra os filisteus (1 Samuel 31).

“Gilboa” vem do hebraico “borbulhante”, por causa de uma abundante fonte local. Na parte leste do Vale de Jezreel se situa o monte, do qual é possível ver a Galileia ao norte, a Samaria ao sul e o Vale do Jordão a leste.

Ao norte do monte, na pequena cidade de Endor, Saul foi ao encontro de uma feiticeira para cometer um de seus grandes erros por ter se afastado de Deus: quis invocar o espírito do falecido profeta Samuel. Foi logo após esse triste episódio que o primeiro rei de Israel pereceu. Por causa do acontecido, Davi amaldiçoou aquele torrão (2 Samuel 1:21).

Nazaré, onde Jesus cresceu com Maria e José, fica a apenas 24 quilômetros do Gilboa. O monte tem 13 quilômetros de comprimento por 9 de largura, com seu ponto culminante 502 metros acima do vale que o abriga. Sua base é de rocha sólida, mas há uma farta cobertura de terra que permite o cultivo de oliveiras, figueiras e cereais – culturas também abundantes na planície em volta, onde é possível ver as mais variadas formas de plantio, com sistemas de irrigação que aliam convencionais métodos milenares à tecnologia de ponta.



Além da agricultura, a área tem duas grandes reservas de proteção ambiental: a de Irus Há-Gilboa, oficializada em 1970, com 728 hectares; e a de Gilboa, de 2005, com mais de 1,8 mil hectares.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Lugares da Bíblia - Túmulo de José do Egito



Os restos mortais do ex-escravo que virou governador foram levados para Siquém, e seu mausoléu foi objeto de violentas disputas ao longo dos milênios





O personagem bíblico hebreu José foi escravo no Egito e, pela graça de Deus e seu comprometimento com Ele, tornou-se governador do reino, ficando acima dele somente o faraó da época. É comum, por isso, acharmos que seu corpo foi sepultado no país das Grandes Pirâmides. Porém, judeus trasladaram seus restos mortais para a bíblica Siquém, atual Nablus, no norte da Cisjordânia. Até hoje, seu túmulo naquela cidade é visitado por judeus, cristãos e muçulmanos, mesmo após ter sido depredado por palestinos, em 2000 – hoje restaurado.

O monumento foi objeto de várias disputas violentas no decorrer de sua existência. Na época do poderio bizantino, já era reclamado por cristãos e samaritanos. Quando Israel tomou a região, em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, os muçulmanos foram proibidos de orar no túmulo de José.O túmulo, bem simples no início, foi ganhando benfeitorias ao longo dos séculos. Hoje, a sepultura de José fica em um cômodo retangular com uma cúpula no meio.

Em 1993, foram assinados os Acordos de Paz de Oslo, em que palestinos e judeus prometiam começar um esforço mais consistente pela paz, mediados pelos Estados Unidos (na foto abaixo, com os então líderes Bill Clinton, dos Estados Unidos; Yitzhak Rabin, de Israel – assassinado 2 anos depois por extremistas israelenses contra o acordo – e Yasser Arafat, da Organização para a Libertação da Palestina, a OLP).



Conforme o tratado, o túmulo de José ficou em território novamente palestino, mas controlado por Israel – os islâmicos ainda eram proibidos de orar nele. Quando aconteceu a Intifada de Al-Aqsa, em 2000, um grupo de muçulmanos tomou o monumento à força e o depredou, profanando a tumba.



Em 2002, os judeus retomaram o local e o restauraram, fruto de um novo acordo entre a Autoridade Palestina e Israel. Porém, as celebrações no local diminuíram bastante, resumidas a uma reunião mensal, por medo de mais violência.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Lugares da Bíblia - As estradas romanas



Descubra por que "todos os caminhos levam a Roma"





O Império Romano ocupava uma vasta área nos tempos bíblicos. Para garantir o transporte de suas forças militares e mercadorias, os Césares (imperadores) providenciaram um extenso sistema de estradas que interligavam os domínios – daí o velho ditado “todos os caminhos levam a Roma”.

Os caminhos romanos ligavam a capital do império a 
lugares até hoje muito importantes economicamente. Penetravam pela Bretanha para o oeste, para a Mesopotâmia a leste, para a região do rio Danúbio na Europa Central e, mais além, para o norte da África. Eram mais de 80 mil quilômetros (km) de vias pavimentadas.Eram grandes estradas calçadas – com resquícios do mesmo revestimento até hoje – com várias ramificações. Alguns trechos são usados até os dias atuais, devidamente asfaltados ou cobertos por paralelepípedos, incluindo alguns que passam por dentro de importantes cidades.



Algumas dessas famosas estradas estão até hoje em uso na Itália, tanto turística e histórica quanto economicamente. A mais famosa é a Via Ápia (nas duas fotos acima), com 260 km, que sai de Roma a sudeste, rumo ao Mar Adriático – aquela porção do Mediterrâneo que fica “atrás da bota” italiana (sua aparência no mapa), para os lados de seu “calcanhar” (foto abaixo).



A Via Aurélia sai rumo noroeste para Gênova. A Flamínia segue a nordeste, também em direção ao Adriático. A Emília atravessa o rio Rubicon. Para leste e sudeste da capital italiana seguem, respectivamente, as vias Valéria e Latina.

Pavimentação
A qualidade do calçamento das estradas romanas era notável, com o que havia de melhor na tecnologia do ramo na época – tanto que muitos trechos preservados nos dão hoje uma firme noção dos caminhos percorridos pelos legionários e por cristãos como o apóstolo viajante Paulo de Tarso. As pedras eram bem retas, fortes, e a superfície, com um leve declive para ambos os lados da via, permitia a drenagem das águas pluviais, como em muitas pistas e ruas de hoje. Eram usadas pedras cortadas manualmente para garantir a superfície reta, mas as estradas também eram cobertas em algumas partes com uma espécie de concreto feito com cinzas vulcânicas e brita – algo mais próximo do asfalto que conhecemos.



Das diversas pontes de pedra que permitiam o acesso sobre rios, muitas permanecem em uso Europa afora (foto acima), resistentes a milênios de intempéries como enchentes e terremotos, além de guerras. A tecnologia das pontes romanas em arco é até hoje utilizada, com pedras ou outros materiais mais modernos.

Rapidez
As modernas vias pavimentadas facilitavam a conquista de territórios por Roma e providenciavam rapidez onde antes havia apenas terrenos acidentados ou charcos. No início, as tropas faziam os longos caminhos basicamente a pé, depois utilizando cavalos e carroças. A presença das estradas facilitava também a administração dos domínios. Ao longo do caminho, ficavam entrepostos e destacamentos militares, que funcionavam como alfândegas e vigias.

As vias romanas também ajudaram muito na propagação do cristianismo. Ironicamente, a mesma infraestrutura do império que combatia a crença em Jesus Cristo como Salvador e chegou a executá-lo – assim como a muitos outros mártires –, permitiu que a Palavra começasse a ser espalhada com mais facilidade pelo mundo então conhecido.

sábado, 24 de novembro de 2012

Lugares da Bíblia - Samaria



A imponente cidade que rivalizava com Jerusalém foi a capital das Dez Tribos Revoltadas, até ser tomada pelos assírios




Após a morte de Salomão, os israelitas se dividiram em dois reinos. O de Israel foi estabelecido na parte norte da Terra Prometida, abrangendo dez das 12 tribos dos hebreus (as chamadas “Dez Tribos Revoltadas”). Siquém tornou-se a capital, até Jeroboão mudá-la para Tirza. Em 880 antes de Cristo (a.C.), o então rei, Onri (o sexto de Israel e pai de Acabe), promoveu mais uma mudança, e a corte passou a ocupar Samaria, cujo nome designa não só a cidade como toda a região de vastas montanhas,no território hoje conhecido como Cisjordânia.

A nova capital foi erguida em uma área elevada, a 11 quilômetros a noroeste de Siquém.

1 Reis 16:23-24“No ano trinta e um de Asa, rei de Judá, Onri começou a reinar sobre Israel, e reinou doze anos; e em Tirza reinou seis anos.

E de Semer comprou o monte de Samaria por dois talentos de prata, e edificou nele; e chamou a cidade que edificou Samaria, do nome de Semer, dono do monte.”

Era uma cidade bem fortificada, semelhante a Jerusalém, 50 quilômetros ao norte dela. Desde sua fundação, era muito conhecida por sua intensa idolatria, o que desagradava a Deus e fazia crescer a inimizade com Judá. Acabe, que se casara com a idólatra Jezabel, chegou a construir um imponente templo para adorar o falso deus Baal (1 Reis 16:32-33).

A Samaria foi a capital das Dez Tribos até ser conquistada pela Assíria, que tomou Israel para o cativeiro (2 reis 18:9-12). Alexandre, o Grande, a tomou em 332 a.C.. Mais tarde, o Império Romano de Herodes a conquistou e reconstruiu, reforçou suas fortificações e a renomeou como Sebaste.
Atos 8 conta que o apóstolo Filipe realizou na cidade um grande ministério. Hoje, o lugar é ocupado pela vila de Sebaste, com várias ruínas dos tempos bíblicos ao seu redor, incluindo grandes templos.
 
Turistas de várias partes do planeta continuam a visitar tanto a antiga cidade e os restos de suas edificações quanto a vasta região ao redor, com suas famosas gargantas e colinas, a despeito da eterna disputa entre judeus e palestinos pelo território.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Lugares da Bíblia - Acaia



Antiga província romana na Grécia teve algumas de suas cidades como destinatárias das cartas de Paulo





Acaia, originalmente, era o nome de uma pequena área no sul da Grécia imperial, ao norte do Peloponeso. Na época do Novo Testamento, porém, sob o domínio romano, o nome dizia respeito não só à antiga região quanto a todo o Peloponeso.

As maiores cidades da Acaia eram
 Corinto, Atenas e Esparta. A região foi amplamente visitada pelo apóstolo Paulo em suas viagens missionárias, constantemente citada em suas cartas que depois viraram livros da Bíblia.Era uma província senatorial de Roma, controlada por governadores chamados procônsules. Uma província senatorial era geralmente uma área de um reino estrangeiro conquistado, mais estável e pacificada, cujo procônsul gozava de certa autonomia, embora servisse aos interesses da corte. As chamadas províncias imperiais, por sua vez, eram diretamente controladas por Roma por serem foco certa instabilidade, governadas pelos procuradores – caso da Judeia, controlada por Pôncio Pilatos nos tempos de Jesus.
“E, cumpridas estas coisas, Paulo propôs, em espírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia, dizendo: Depois que houver estado ali, importa-me ver também Roma.”
 Atos 19:21

“Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia.”
2 Coríntios 1:1

História
Após a queda do Império Romano Ocidental, a Acaia foi conquistada pelos bizantinos. Nos séculos 6 e 7, os eslavos ocuparam a área, assentando-se em algumas localidades. No século 9, voltou a ser do Império Bizantino, até ser ocupada pelos cruzados. Mais uma vez Bizâncio a tomou de volta, até os Otomanos chegarem em 1460. Passou por outros domínios até a Grécia tornar-se independente no século 19.

Hoje, a Acaia é uma unidade regional que fica na Região Oeste da Grécia e tem como capital a cidade de Patras (foto acima). Na parte noroeste da península do Peloponeso, tem hoje cerca de 331 mil habitantes. A região metropolitana de Patras concentra o parque industrial da unidade e dois terços de sua população, com boa infraestrutura e urbanismo de ponta. Corinto continua sendo uma de suas principais e mais ricas cidades.

A natureza acaiana é privilegiada, com vastas áreas de montanhas, florestas e pradarias. Normalmente tem verões intensos e invernos moderados. Esses verões bem quentes apresentam dias ensolarados mais para o litoral, mas nublados e chuvosos nas regiões montanhosas, onde no inverno a neve é comum.

domingo, 11 de novembro de 2012

Lugares da Bíblia - Rio Eufrates



Na área do antigo Éden, um dos grandes rios da Mesopotâmia está seriamente ameaçado pela maior seca de sua história, citada no livro de Apocalipse





O Eufrates, um dos dois grandes rios que cercam a Mesopotâmia e um dos maiores da antiga região do Jardim do Éden, é formado por dois afluentes, o Kara e o Murat, da Turquia. Com quase 2,8 mil quilômetros de extensão, ele escoa para o sudoeste, passando pela Síria e pelo Iraque, para se encontrar com seu outro grande “irmão”, o rio Tigre, e formar o Shatt al Arab, que deságua no Golfo Pérsico.

Porém, a situação do Eufrates não está nada normal, e a própria Bíblia explica o que está acontecendo.
O grande rio recebe, em condições normais, a maior parte de suas águas das chuvas e do degelo do início da primavera, cujo pico se dá nos meses de abril e maio. O grande potencial hidrográfico faz com que várias usinas hidrelétricas estejam ao longo de seu curso.

“E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente.”
Apocalipse 16:12

Por meio de uma famosa matéria veiculada pelo jornal estadunidense The New York Times em 2009, o mundo soube, alarmado, da grande seca que desalojou lavradores e pescadores, que migraram à procura de melhores condições de vida.



A profecia bíblica ganhou mais força ainda pela imprudência humana. A exagerada exploração do potencial hídrico pela Turquia e pela Síria, o uso incorreto por agricultores de seu vale e os danos ambientais em suas margens contribuíram muito para que o histórico rio perdesse quase toda a sua água.


Vastas áreas antes ocupadas por alagadas plantações de arroz já viraram quase desertos, com sua ampla superfície árida. A despeito dos acontecimentos políticos e combates recentes, só por causa da seca, o cultivo do cereal no Iraque diminuiu 95%. Fazendas de cevada e tâmaras estão sendo abandonadas por seus proprietários, que rumam para a zona urbana mais distante em busca de sobrevivência, assim como os moradores das pequenas comunidades e cidades ribeirinhas.



A disputa pela água do grande rio mesopotâmico e seus semelhantes quase causou uma guerra na década de 1970, quando as primeiras represas sírias começaram a ser construídas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Lugares da Bíblia - Via Dolorosa

"Caminho percorrido por Jesus ao Calvário é até hoje uma movimentada rua em Jerusalém"
           

Está marcado até hoje na Cidade Velha de Jerusalém o caminho que Jesus percorreu para ser crucificado no Calvário. É a hoje chamada Via Dolorosa, estreita rua de pedestres que começa no Portão dos Leões e termina no Santo Sepulcro.

Hoje repleta de lojas, templos e atrações turísticas, está sempre cheia de gente, tanto cidadãos de Jerusalém em seu cotidiano quanto turistas.

No clima da Cidade Velha de hoje, a via se assemelha ao que nós conhecemos como um beco. Vendedores apregoam em alto e bom som suas mercadorias, clamando pela atenção do formigueiro de transeuntes. Altos prédios de pedra, muitos da época de Jesus e até anteriores a ele, ladeiam o caminho. Degraus aparecem a todo momento, cidade adentro.

Quem se surpreende com tal movimento pode pensar que muita coisa mudou desde aquele dia histórico, mas não é bem assim. Também havia grande movimento de pessoas e mercadorias, pois era a semana do Pessach, a Páscoa dos judeus, em que muitas famílias se reuniam em Jerusalém e a enorme população flutuante se juntava à fixa.

As estações

Ao longo da via, estão assinalados os pontos dos principais acontecimentos do caminho de Jesus com a cruz. São as chamadas estações, marcadas com numerais romanos – 14 no total, sendo que nove delas estão a céu aberto, e as cinco restantes no interior de um templo.
A partir do Portão dos Leões, o caminho segue para oeste, com as primeiras nove estações assinaladas, que podem ser percorridas pelo público em geral:

1ª Estação – Ponto da flagelação de Cristo – onde ele foi açoitado.

2ª Estação – Próxima aos restos de uma edificação romana, onde hoje fica o Arco do Ecce Homo (“este homem”, em latim), termo usado por Pôncio Pilatos quando apresentou Jesus à população antes da condenação.

3ª Estação – Local da primeira queda de Jesus por exaustão.

4ª Estação – Onde Jesus reencontrou Maria, sua mãe



5ª Estação – Sobre uma antiga porta (foto acima), há uma inscrição mostrando o ponto em que Simão, o cireneu, ajudou Jesus a carregar a cruz.

6ª Estação – Lugar em que uma mulher piedosamente limpou a face de Jesus, suja de sangue e suor, com um pedaço de tecido.

7ª Estação – Na esquina entre a Via Dolorosa e a Rua do Mercado, marcada por ser onde Jesus caiu de cansaço e dor pela segunda vez.

8ª Estação – Ponto em que Jesus encontrou algumas mulheres de Jerusalém, que choravam por ele.



9ª Estação – Local da terceira queda do Messias (foto acima), até hoje assinalado com uma coluna romana.
Essas estações e vários outros pontos da Via Dolorosa podem ser percorridos virtualmente, vistos com detalhes, pela ferramenta do Google Street View.



O site recentemente adicionou Jerusalém aos seus arquivos – que pode ser vista como se o internauta estivesse caminhando por ela, em meio ao movimento comercial e turístico.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Lugares da Bíblia - Egito

"Antigo cativeiro do povo judeu e palco das famosas pragas bíblicas, o Egito hoje é combatido por organizações em prol dos direitos humanos, mas tem enorme potencial turístico-histórico"
           


O Egito foi palco de importantes passagens bíblicas. Para lá, José, filho de Jacó, foi levado após ser vendido por seus irmãos (a partir de Gênesis 37) e revolucionou a administração local quando Deus lançou sobre o reino as famosas pragas, em um grande exemplo de planejamento citado até hoje. Lá o povo judeu foi escravizado por várias gerações até sair com Moisés para a Terra Prometida (livro de Êxodo). Hoje, é um importante país do Oriente Médio e tem em seus limites algumas das mais valiosas obras arquitetônicas e históricas da humanidade.

País árabe, o Egito tem limites a oeste com a Líbia, ao sul com o Sudão, a leste com a Faixa de Gaza e Israel, ao norte com o Mar Mediterrâneo e do lado oriental com o Mar Vermelho. A Península do Sinai é banhada por dois golfos: Suez e Ácaba.

Um dos países africanos mais populosos, tem mais de 80 milhões de habitantes, praticamente todos vivendo às margens do histórico Rio Nilo, que fertiliza suas margens. O resto do território tem clima desértico e terras pobres. Seus desertos são o da Líbia, o Oriental (ou Arábico) – ambos parte do Saara – e o do Sinai. Quase a metade de seu povo mora na zona urbana.

Nele ficam as famosas Grandes Pirâmides, conhecidas em todo o planeta, além da enigmática Grande Esfinge, todas bem próximas da capital do país, Cairo.

História

Os indícios mais antigos de habitantes no Egito datam do período Paleolítico, encontrados às margens do Nilo e nos oásis. As mudanças climáticas que resultaram no deserto do Saara aconteceram cerca de 8 mil anos antes de Cristo. Os povos da época migraram para o Vale do Nilo e desenvolveram a agricultura, pois as terras nas proximidades do curso d’água são férteis até hoje por causa de suas cheias e da matéria orgânica que transportam. Além disso, o clima perto do rio é mais ameno que no restante do país desértico.

Em 6000 a.C., a agricultura egípcia era organizada e grandes edifícios começaram a ser erguidos. O Baixo e o Alto Egito eram comunidades independentes, mas com boas relações entre si. Em 3150 a.C, o rei Menés unificou os reinos e deu origem a uma dinastia que reinaria pelos 3 mil anos seguintes. No Império Antigo (2700 a 2200 a.C.) surgiram as Grandes Pirâmides e a Grande Esfinge. O Império Novo (1550 a 1070 a.C.) começou com a 18ª Dinastia e levou o Egito a ser uma potência mundial na época, expandindo seu território até a antiga área do Levante. São deste período alguns dos faraós (reis com status de divindades na época) mais conhecidos, como Aquenáton (e sua famosa esposa Nefertiti, eternizada nas artes por sua beleza), Tutancâmon e Ramsés II. Seu politeísmo, com uma rica mitologia, deu lugar ao monoteísmo, com a religião do atonismo.

A 30ª Dinastia foi a última egípcia de nascimento, pois o reino foi conquistado pelos gregos e, em seguida, pelos romanos, resultando em mais de 2 mil anos de domínio estrangeiro.

O cristianismo entrou no Egito pelas mãos de Marcos, no primeiro século d.C., época da chamada Igreja Primitiva, que ainda tinha muito em voga os ensinamentos de Cristo sem adulterações. O Império Romano deu lugar ao Bizantino, quando os cristãos começaram a ser perseguidos. O Novo Testamento foi traduzido para o egípcio nesse mesmo período.

No ano de 639, o Egito foi tomado pelos árabes muçulmanos sunitas. Os governantes eram escolhidos pelos Califas (sucessores de Maomé com poder político e religioso), permanecendo no poder por cerca de 600 anos.

Séculos depois, em 1798, era a vez das tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadirem o país, impactando sua cultura irreversivelmente. Após a retirada francesa, várias facções locais lutaram pelo poder, mas o mesmo permaneceu entre os egípcios.

Final do século 19 até hoje

Em 1869 foi inaugurado o famoso Canal de Suez, tornando a região muito importante mundialmente no concernente ao comércio e ao transporte. Como o país contraiu pesadas dívidas por causa da obra (uma das maiores da engenharia em todo o planeta na época), o Reino Unido, seu maior credor, interveio e aproveitou-se da situação para dominar o país militarmente. Em 1914, os britânicos declararam o Egito como seu protetorado. Os egípcios, nos anos seguintes, começaram a se rebelar contra o poderio estrangeiro, resultando em grandes revoltas que levaram à independência do país em 22 de fevereiro de 1922. Mas os britânicos ainda controlavam o importante canal oferecendo, em “troca”, a defesa do território.

A monarquia local caiu em 1953 e a república foi proclamada. Em julho de 1956, o Canal de Suez foi nacionalizado. Na década seguinte, na histórica Guerra dos Seis Dias, Israel invadiu a península do Sinai.

Em 1973, na Guerra de Outubro (ou de Yom Kippur), o Egito tomou a península do Sinai de volta em um ataque surpresa. Os Estados Unidos e a então União Soviética intervieram e negociaram o cessar-fogo. Em troca da paz com Israel, o Sinai foi reintegrado ao Egito. Em 1979, um tratado de paz oficial estipulou a retirada permanente dos israelenses da região. Os fundamentalistas islâmicos não gostaram do tratado e assassinaram o então presidente egípcio Anwar Sadat em um desfile militar no Cairo, capital do país, em 1981. Seu sucessor, Hosni Mubarak, permanece no poder até hoje após múltiplas reeleições. A escolha democrática é um engodo disfarçado de democracia, e o Egito é alvo de severas críticas quanto ao desrespeito aos direitos humanos, por organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch.

Turismo

É muito comum um passeio ao Egito começar por Israel. Na terra de Davi há apenas uma agência especializada no turismo para o país vizinho. As excursões saem de Tel Aviv e Jerusalém, e pode-se chegar ao Egito de ônibus ou avião. O pacote para quem vai de ônibus custa, em média, 300 dólares e inclui a viagem até o Cairo, duas diárias com café da manhã em um hotel 4 estrelas (que é similar a uma pousada simples e sem luxo no Brasil, no entanto, os próprios agentes de viagem recomendam aos clientes não se hospedarem em um hotel inferior a essa categoria). Os passeios são pagos à parte, com desconto de 50% para estudantes e idosos.

Cairo

A viagem de ônibus para o Cairo, desde Jerusalém, dura em média 16 horas. É uma verdadeira aventura. A estrada é uma reta no meio do deserto do Sinai, não há sinalizações ou qualquer vestígio de civilização. Há somente uma parada, em um tipo de bar muito simples no deserto, no qual não é recomendado comer nada para quem está acostumado a comida de melhor qualidade. Recomenda-se levar o próprio alimento para a viagem.

Na capital egípcia, o trânsito caótico, com muitas vias elevadas e a expansão da cidade, sem qualquer planejamento urbano, lembram bastante grandes cidades brasileiras em seus bairros menos favorecidos. Há uma lei que desobriga os cidadãos a pagarem os impostos de construções inacabadas, por isso, é comum ver muitos imóveis eternamente em construção, o que piora a paisagem de caos.

A religião predominante no Egito é o islamismo, embora haja minoria cristã. A forma de o muçulmano orar, ajoelhando-se e encostando a cabeça no chão, deu origem a um costume peculiar. Aquele que tiver a marca mais roxa na testa demonstra que bateu a cabeça no chão com mais força, o que, na concepção deles, simboliza maior fé e inspira mais respeito.

Na culinária típica, destaca-se o kushari, um alimento feito de arroz com lentilhas, molho de tomate, macarrão e cebola picada e frita no topo, muito saboroso. Um prato desses, muito bem servido, custa, em média, R$ 3. Há também o kerkedê, um chá gelado e com gosto forte, produzido a partir das pétalas do Hibisco. Ambulantes comercializam o chá nas ruas, e ele também é servido como cortesia em muitos comércios, com o intuito de recepcionar e agradar o freguês.

No entanto, deve-se ter muito cuidado sobre onde comer no Egito, porque a água no Cairo é contaminada. Não se deve, de forma alguma, consumir água da torneira – é importante sempre comprar garrafas de água mineral, devidamente lacradas, e evitar o consumo de frutas quando não se sabe a origem, porque a água utilizada para regá-las pode ser contaminada.

O shuk (feira) local é um dos maiores do Oriente Médio. Lá é possível comprar desde bijuterias, roupas, calçados, tecidos, comida, especiarias, souvenirs, até camelos. Facilmente, um “guia do shuk” acompanha os turistas, mesmo contra sua vontade, e se comunica em seu idioma. É preciso ter paciência para dispensar seus serviços, pois os guias são muito insistentes.

As mulheres muçulmanas e também as poucas cristãs do Egito são muito discretas na vestimenta. Cobrem desde os pulsos até o tornozelo. É comum os egípcios se impressionarem ao verem uma turista trajando roupas mais insinuantes e, para eles, a simples exposição dos braços já é incomum e pode causar assédio.

As pirâmides
As Pirâmides do Egito ocupam a primeira posição na lista das sete maravilhas do mundo antigo, e são as únicas das antigas maravilhas que ainda persistem. Visitá-las é um dos passeios considerados obrigatórios pela maioria dos especialistas em turismo e história, embora todos os outros sejam muito interessantes.

Localizadas no Planalto de Gizé, são facilmente avistadas de qualquer parte do Cairo. Acredita-se que foram erguidas há 2.700 a.C. pelos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos, e por isso receberam seus nomes.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Lugares da Bíblia - Filadélfia

"Uma das sedes das Sete Igrejas do Apocalipse, Jesus enalteceu a fidelidade dos cristãos locais"
           


Hoje conhecida como Alasehir, a antiga cidade de Filadélfia era sede de uma das Sete Igrejas do Apocalipse, citadas no último livro da Bíblia. No território da atual Turquia, foi fundada por volta de 159 a 138 antes de Cristo (a.C.) por Attalus II, regente de Pérgamo. O nome foi dado em honra ao irmão do fundador, o rei Eumenes II. Em grego, significa “cidade do amor fraternal” – daí a mesma alcunha da cidade homônima nos Estados Unidos, no estado da Pensilvânia, primeira capital norte-americana.

Em Apocalipse, João recebeu de Jesus a revelação endereçada à cidade:

“E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre:

Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome.

Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo.

Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que
habitam na terra.

Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.

A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.”
Apocalipse 3:7-12
A expressão “sinagoga de Satanás” refere-se ao fato de que os cristãos locais eram severamente perseguidos pelas autoridades judias da cidade. Assim como fez em relação a Esmirna, Cristo enalteceu os fiéis da Filadélfia por sua persistência e fidelidade.

Elevada e próspera

Na atual província turca de Manisa, no Egeu, a cidade é ligada a Esmirna por uma ferrovia de 105 quilômetros. Construída em terreno elevado, até hoje a área é sujeita a terremotos, um dos quais devastou a cidade no ano 17, seguido de tremores de menor impacto, mas ainda poderosos, pelos 20 anos seguintes. Arqueólogos encontraram moedas locais com a efígie do imperador romano Calígula, famoso por sua devassidão e loucura, que auxiliou a cidade em sua reconstrução, já que na época ela fazia parte de seu império.

No período bizantino, Filadélfia foi muito próspera, apelidada como a “Pequena Atenas” por volta do século 6.

Foi conquistada pelos turcos em 1074, recuperada pelos bizantinos em 1098. Passou pelas mãos dos gregos, constantemente reivindicada pelos otomanos. Após vários conflitos, o exército da Grécia ocupou a cidade durante a guerra Greco-turca (1919-1922).

Forçados a sair, os gregos lançaram mão da estratégia “terra arrasada” (destruição total do lugar e de seus recursos, bem como mais de 3 mil de suas vidas humanas, naquele caso específico). Os edifícios foram borrifados com querosene e incendiados. O subúrbio ateniense de Nea Filadelfia (Nova Filadélfia) recebeu esse nome por ter recebido os gregos retirantes de Alasehir, o nome turco da cidade até hoje.

Do alto da urbe, vê-se a extensa e fértil planície do Rio Gediz, cujas nascentes fornecem águas minerais bastante apreciadas na Turquia e em países vizinhos. Outro produto bastante famoso são as frutas secas, sobretudo as uvas passas da variedade sultana (verdes e sem sementes, na foto acima), de qualidade internacionalmente conhecida.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Lugares da Bíblia - O Monte Moriá

"A montanha onde Abraão levou seu filho Isaque para sacrifício é hoje importante para três culturas diferentes, além de uma área urbana com muitas opções turísticas"
           


Há milhares de anos, o Monte Moriá foi local de importantes passagens bíblicas. Situado na atual região da Cidade Velha, em Jerusalém, Israel, acredita-se que nele o patriarca Abraão subiu para sacrificar seu filho Isaque, segundo mandamento de Deus (leia Gênesis 22:2). Também foi nele que Davi viu o anjo que destruiria Jerusalém, ainda segundo ordem de Deus, insatisfeito com seu povo (leia 2 Samuel 24). Tendo o Criador mandado o anjo parar com a destruição, Davi adquiriu a preço justo a terra em que vira o anjo e ergueu ali um altar, mais tarde incumbindo seu filho Salomão de erguer no local o famoso templo que substituiria o Tabernáculo, obra das mais arrojadas do planeta na época.
Como deixam claros os relatos bíblicos, a região era inabitada na época. Salém, o povoado que mais tarde daria origem a Jerusalém, ficava nas cercanias. Muito após Abraão, nos tempos de Davi, o famoso rei dos judeus comprou aquelas terras no episódio do anjo destruidor de Jerusalém, onde ficava então uma eira (área de terra batida usada para debulhar e secar grãos) dos jebuseus, a preço justo. O monarca ordenaria que ali fosse construído o famoso templo de adoração a Deus.
Hoje, a área é dominada pelos muçulmanos, sendo proibido aos judeus entrarem onde antes ficava o grande templo destruído pelos romanos. Conhecida como a Esplanada das Mesquitas, a área tem em seu centro o Domo da Rocha, santuário islâmico onde o profeta Maomé teria ascendido aos céus, segundo a tradição de seu povo. Logo abaixo, no que restou das muralhas de arrimo do outrora imenso templo, está o famoso Muro das Lamentações (foto), área de peregrinação de judeus de todo o mundo.
O Monte do Templo, um dos vários nomes do local, possui importante sentido sagrado para cristãos, muçulmanos e judeus, a despeito das discórdias entre as tradições. Os judeus acreditam que ali deve ser reerguido o grande templo, nos tempos de seu messias, que ainda não veio. Sua tradição proíbe o acesso à área, pois o local é sagrado para eles e poderiam, sem querer, violar a área em que antigamente se situava o Santo dos Santos, área do templo em que só o sumo sacerdote poderia pisar para falar diretamente com Deus. Como não se sabe exatamente onde a estrutura interna do templo ficava, proíbe-se a área em geral.
Várias mesquitas foram construídas ao redor do cume do monte, em volta da grande cúpula forrada de ouro que pode ser vista a quilômetros de distância, dominando a paisagem da atual Jerusalém.
A região do Monte do Templo

O Monte do Templo, situado em Jerusalém, é um dos menores montes da região, com 743 metros acima do nível do mar. Ele faz divisa ao oriente com o Portal Dourado (foto ao lado) – segundo a tradição cristã, através dele Jesus entrou em Jerusalém, e, na tradição judaica, é por onde entrará o Messias, pois os judeus não creem que Jesus o seja.
Jerusalém é uma cidade montanhosa e, entre todas as montanhas, o Monte Moriá é o mais próximo à Cidade Velha de Jerusalém, fazendo divisa a oeste com o Muro das Lamentações, o lugar mais sagrado do mundo para os judeus por ser o que restou do Segundo Templo.
A Cidade Velha
A Cidade Velha de Jerusalém, construída originalmente pelo Rei Davi em 1004 a.C (antes de Cristo), desde aquela época foi considerada o centro do mundo para sua cultura. Mapas antigos mostram os três continentes conhecidos naquela época: Europa, Ásia e África, situadas em um círculo com Jerusalém no centro.
Glorificada por reis, governantes e conquistadores, muitos tentaram saqueá-la, dada a sua importância histórica para as três maiores religiões do mundo. Peregrinos, mendigos, mercadores, estudantes, grandes sábios, guerreiros e escravos andaram por suas ruelas, e talvez esse seja um dos motivos pelos quais a Cidade Velha possui a atmosfera de um passado ainda vivo em suas antigas construções, devidamente preservadas.
Tombada como patrimônio mundial da humanidade em 1981 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a Cidade Velha de Jerusalém, cercada por uma muralha de mais de 4 quilômetros, sete portões, 34 torres e uma cidadela (a Cidade de Davi), é dividida em quatro quarteirões residenciais:
- O bairro árabe - No quarteirão árabe, ao lado do Muro das Lamentações, encontra-se o Shuk (mercado) Árabe. No entanto, os shuks são verdadeiras instituições sociais, mais do que simples feiras. São celebrados por serem os lugares mais democráticos em qualquer país do Oriente Médio. Por lá ocorrem discussões calorosas sobre preços e pechinchas.

Um shuk é ideal para comprar lembranças típicas da região, como pashminas (lenços ornamentais femininos), tecidos, tapetes, enfeites para a casa, narguiles (grandes ampolas de vidro para o fumo de ervas), camisetas turísticas, temperos e especiarias, além de provar deliciosos doces árabes. Um dos poucos locais no Oriente Médio em que é possível fazer compras em português (ou em diversas línguas), devido à pluralidade de turistas que passam pela região diariamente; os comerciantes árabes, para conquistar mais clientes, aprenderam o básico de cada idioma. É comum alguns deles chamarem um cliente brasileiro de “pão-duro” (em português mesmo) por não comprar seus produtos, o que não quer dizer que as negociações estejam fechadas.
O bairro judaico - Nele, além de residências e sinagogas, encontra-se o Muro das Lamentações. A visitação ao muro é aberta a todas as pessoas, sem restrição a crenças religiosas – no entanto, a única exigência é que homens coloquem um solidéu (quipá) sobre a cabeça e que as mulheres cubram ombros e decote.
O bairro também conta com sítios arqueológicos valiosos, como a Casa Queimada (restos de uma casa do tempo da destruição de Jerusalém pelos romanos, há 2 mil anos). E o Cardo, uma rua comercial construída no século VI pelos romanos.
O bairro armênio - Os armênios se estabeleceram em Jerusalém no século IV. Na Cidade Velha, eles construíram o menor entre os quatro bairros. Na região armênia é possível encontrar residências, o Museu Armênio, que mostra a cultura do povo, além de bons restaurantes, que servem a tradicional comida armênia, como o sujuk (uma linguiça de carne de vaca desidrata e temperada com diversas especiarias), shakarishee (um tipo de biscoito amanteigado), ou o salame armênio, a basturma, que é cortada na espessura de uma folha de papel e refogada na manteiga com especiarias e ovos.
A cerâmica armênia (foto à esquerda) é muito comercializada no bairro da Cidade Velha. São lindas e delicadas peças decoradas que refletem a tradição do país.
- O bairro cristão - O quarteirão possui mais de 40 igrejas, monastérios e albergues que foram construídos para os peregrinos cristãos. No centro do quarteirão se encontra a Igreja do Santo Sepulcro, ou a Igreja da Ressurreição, o lugar no qual Jesus foi enterrado depois da sua caminhada final rumo à cruz, conhecida como Via Dolorosa. O caminho, ainda demarcado, começa no pátio onde fica atualmente o Portão do Leão e termina no Monte do Calvário, onde Cristo foi crucificado. Muitos peregrinos cristãos andam pela via, seguindo a trajetória final do Messias.
A questão do sacrifício de Isaque
Muito se questiona a passagem bíblica da tentativa de sacrifício de Isaque por Abraão, seu pai. Cristãos recém-convertidos (mesmo alguns veteranos) não conseguem entendê-la em uma primeira análise. E não há como culpá-los, até que seja feita uma interpretação mais interessante. À primeira vista, Deus quis de Abraão uma prova de fidelidade e amor, para isso devendo sacrificar seu filho legítimo prometido a ele pelo próprio Senhor. Abraão, mesmo sempre tendo confiado em Deus enquanto muitos duvidariam, seguiu a ordem. Não se pode dizer que seu coração não estava apertado, e que ele não lamentaria a morte do filho.
Isaque, vendo o feixe de lenha e o cutelo, perguntou sobre o cordeiro que seria imolado. Abraão, em uma mistura de esperança e de fuga do assunto, só respondeu que Deus providenciaria o animal. No topo do monte na região de Moriá, onde Deus lhe ordenara, o patriarca judeu amarrou o filho e levantou a lâmina para matá-lo em sacrifício sobre o altar. Um anjo do Senhor interrompeu o ancião, desobrigando-o do ato.
Mas como Deus seria capaz de pedir a um pai para matar o próprio e adorado filho? É exatamente aí que está uma das questões mais interessantes do episódio. Abraão, tendo esperado uma vida quase inteira por um filho, de certa forma idolatrava Isaque.
No fim das contas, o ancião não subiu ao monte para perder seu filho, mas para encontrá-lo. Não subiu para perder um filho, mas para perder um ídolo.
Abraão, desta forma, entendeu que deveria adorar a Deus somente, e amar seu filho como filho, não como objeto de adoração. Entendeu não só seu amor por Isaque, como o amor de Deus por todos.
A idolatria consiste, em uma definição mais simples, em achar que algo ou alguém são imprescindíveis à sua vida. Uma pessoa querida, um trabalho, um bem material, um vício e tantas outras coisas que, amadas da forma errada, nos fazem pensar que seria impossível viver sem elas.
Deus, na lição que deu a seu amado Abraão, só lhe ensinou a amar da forma certa. Não há nada de errado em amar nossa família, nossas conquistas, nossos bens, desde que isso seja feito da forma certa, cada coisa em seu lugar com o amor apropriado a elas. Muitos de nós precisamos levar nossos Isaques a um Moriá.