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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ciência na Bíblia - O arco-íris



Descrito em Gênesis, fenômeno resulta da separação das cores que formam a luz solar quando ela atravessa gotículas de água na atmosfera





“O meu arco tenho posto nas nuvens; este será por sinal da aliança entre mim e a terra.

E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, aparecerá o arco nas nuvens.

Então me lembrarei da minha aliança, que está entre mim e vós, e entre toda a alma vivente
de toda a carne; e as águas não se tornarão mais em dilúvio para destruir toda a carne.

E estará o arco nas nuvens, e eu o verei, para me lembrar da aliança eterna entre Deus e
toda a alma vivente de toda a carne, que está sobre a terra.

E disse Deus a Noé: Este é o sinal da aliança que tenho estabelecido entre mim
e entre toda a carne, que está sobre a terra.”
Gênesis 9:13-17

Um arco-íris não está de verdade no local em que aparenta estar. É apenas um fenômeno óptico causado pela descrita dispersão da luz (é sempre bom lembrar: “óptico”, com “p”, é relativo a olhos, visão, enquanto “ótico” refere-se a ouvidos, audição).Após uma chuva, sempre há gotículas de água suspensas na atmosfera. Quando atravessadas pela luz solar, acontece o fenômeno conhecido como arco-íris, descrito em Gênesis como um sinal de Deus para com Noé e sua descendência de que não haveria mais dilúvios, ao mesmo tempo um símbolo da aliança do Senhor com seus filhos.


A luz do sol é uma onda luminosa branca. Sabemos que o branco, na verdade, é formado de várias cores. Ao passar por uma gota d’água – ou até mesmo um objeto transparente sólido, maciço –, o feixe branco se refrata em um multicolorido. Dentro da gota, o feixe é refletido sobre sua superfície interna e novamente sofre refração, separando as cores, agora visíveis a olho nu. Como a dispersão acontece, durante ou após uma chuva, em todas as gotas que recebem o feixe solar, é como se uma grande lente líquida se formasse na atmosfera, causando o arco que vemos.

A forma de arco se dá de acordo com nossa posição ao vê-lo. Com o sol nem muito alto, nem muito baixo, incidindo entre as inúmeras gotículas uniformemente espalhadas no ar, as que refratam a luz diretamente para os olhos do observador estão dispostas em círculo (na verdade, este círculo é uma seção reta de uma superfície parabólica, com foco no observador). Quando a posição muda, também pode mudar o formato. De uma aeronave, olhando-se para baixo, podemos ver o aro completo, um anel fechado.



Também vemos arco-íris perto de cachoeiras e chafarizes, pela dispersão de gotículas no ar, ou os reproduzimos em miniatura ao usar uma mangueira que espalhe bem a água, sob o sol.

As cores


O arco multicolorido apresenta sete cores – de fora para dentro: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo (ou anil) e violeta. Dependendo da posição ou da dispersão das gotas no ar,

podemos ter a impressão de que são apenas seis – ou cinco, como enxergou, a princípio, o físico Issac Newton.

Falando em Newton, ele foi o primeiro cientista a mostrar que a luz branca era composta pelas luzes das cores exibidas pelo arco-íris. Com um prisma de vidro, ele decompôs a luz branca em um feixe colorido e, com outro maciço transparente, o recompôs em luz branca.

Às vezes, um segundo arco-íris – geralmente mais fraco – pode ser visto do lado de fora do arco principal. Isso acontece pela dupla reflexão da luz solar nas gotículas de chuva. Vale salientar que as cores do arco externo são invertidas em relação ao interno. Embora mais raros, podem acontecer arcos triplos e, mais raros ainda, quádruplos, sendo o externo mais vibrante.



Arco da velha
O arco-íris sempre causou fascínio por sua beleza, por isso, objeto de várias lendas de várias culturas. Recebeu diferentes nomes entre elas. “Arco-íris” mesmo, por exemplo, vem de uma personagem da mitologia grega, Íris, que na função de mensageira percorria os céus deixando um rastro multicolorido. “Arco celeste”, ou “arco do céu”, vão ao encontro de como Deus se referiu ao fenômeno em Gênesis, de onde também vem a designação “arco da aliança” para alguns povos. A língua francesa pegou carona daí para seu “l’arc en ciel” (literalmente “o arco no céu”). “Arco da chuva” também é usado – como no inglês rainbow, junção das palavras rain (chuva) e bow (arco).

Quando alguém quer se referir a algo incrível, espantoso, muitas vezes diz que “é do arco da velha”, na verdade mais um dos nomes do arco-íris. A expressão também tem origem bíblica. Por ser o sinal da aliança com Deus, o fenômeno tornou-se conhecido como o “arco da lei velha” (o Antigo Testamento), termo com o tempo reduzido à forma atual.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ciência na Bíblia - Nuvens de gafanhotos


Para quem acha que a Bíblia fez relatos fantasiosos, basta prestar atenção aos trabalhos de confiáveis e renomados cientistas entre os melhores do mundo




“Assim foram Moisés e Arão a Faraó, e disseram-lhe:
Assim diz o SENHOR Deus dos hebreus:
Até quando recusarás humilhar-te diante de mim?
Deixa ir o meu povo para que me sirva;

Porque se ainda recusares deixar ir o meu povo,
eis que trarei amanhã gafanhotos aos teus termos.

E cobrirão a face da terra, de modo que não se poderá ver a terra;
e eles comerão o restante que escapou, o que vos ficou da saraiva;
também comerão toda a árvore que vos cresce no campo;

E encherão as tuas casas, e as casas de todos os teus servos
e as casas de todos os egípcios (...)”
(Êxodo 10:3-6)

Tal como descrito em Êxodo, assim aconteceu. A grande nuvem de gafanhotos que fez parte das pragas infligidas ao Egito por Deus – para que os hebreus fossem liberados da escravidão e rumassem para a Terra Prometida – entrou para a história. E, também tal como descrito, uma praga como essa é bem mais séria do que parece aos povos não acostumados a ela. Os insetos simplesmente devoram tudo o que encontram de vida vegetal “mastigável”, deixando apenas galhos desfolhados, destruindo completamente lavouras e causando a fome nas pessoas e animais até a safra seguinte. Em alguns países africanos e do Oriente Médio o problema é tão grave que a Fundação das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) criou o Locust Watch (algo como Vigilância de Gafanhotos, em tradução livre), um sistema em cooperação com a agência espacial norte-americana, a NASA, para monitorar a proliferação e as migrações dos artrópodes devoradores, emitindo alertas internacionais quando necessário.


Perigo real e atual
Para quem achava que o relato bíblico é fantasioso e exagerado, nuvens de gafanhotos causam prejuízos periodicamente em dezenas de milhões de quilômetros quadrados de plantações, pastagens e cidades nas áreas atingidas, a ponto de a própria Organização das Nações Unidas (ONU) ter criado uma divisão especial para cuidar do assunto.

Mas como e por que começa uma nuvem desses insetos?
As formações de gafanhotos, constituídas por milhões deles, geralmente ocorrem quando há um aumento exagerado em sua população em determinada região, principalmente após períodos intensamente chuvosos, após os quais as fêmeas depositam seus ovos. Quando eles eclodem em grande quantidade, o alimento na área torna-se escasso. Os animais saem em revoada em um grupo tão grande que impedem até a passagem da luz do sol. Não transmitem doenças, mas comem toda a vida vegetal que conseguem (a não ser a madeira e as sementes mais duras), causando fome em regiões inteiras. Um exemplar do inseto come, diariamente, o equivalente ao seu próprio peso corporal em vegetais. Come rápido, gasta a energia também rapidamente e logo procura mais alimento.

A explosão populacional dos “grilos grandes” (são da mesma família) pode acontecer por fatores diversos: mudanças na temperatura, na umidade e no índice de chuvas, por exemplo. Das cerca de 400 espécies de gafanhotos conhecidas, aproximadamente meia centena são nômades, mas só umas 10 causam esse tipo de prejuízo. A África, a Ásia e parte do Oriente Médio são os lugares mais atingidos. Uma das nuvens medidas pela NASA na África cobria 1,2 mil quilômetros quadrados e continha cerca de 80 milhões de gafanhotos por quilômetro quadrado. Ainda assim, achou pouco? Segundo os relatos bíblicos, a nuvem da praga bíblica foi bem maior. Quer mais? Uma nuvem como a citada pode consumir 192 milhões de quilos de vegetação em um só dia, segundo os pesquisadores da FAO. Nos últimos 100 anos, aconteceram sete grandes períodos de grandes pragas. A mais longa aconteceu, intermitentemente, por 13 anos.

Por aqui, só há notícias de nuvens, mas em bem menor intensidade, na região do estado do Mato Grosso. Antes, os insetos se alimentavam da vegetação natural, no Centro-Oeste. Com o avanço das grandes plantações para a região e a devastação do cerrado, os insetos passam a comer as lavouras, já que foram privados de sua comida natural (que consumiam de forma gradativa, devagar e sempre, sem acabar com a vegetação).

E quando uma nuvem ataca? O que fazer? Correr. Ou o pior: pulverizar inseticidas que até diminuem a população dos bichos, mas causam severos danos aos vegetais e ao solo. Obviamente, parte do veneno fica nos alimentos, e chega à nossa mesa.


Segundo a FAO, nos períodos de recessão (quando não há nuvens) dos gafanhotos na área mais atingida do planeta, eles se concentram numa área de 16 milhões de quilômetros quadrados que começa no deserto do Saara, passa pela Península Árabe e vai até o noroeste da Índia. Quando saem em nuvens, devoram tudo nessa área e ampliam o raio de ação em volta dela, afetando cerca de 60 países, passando por cima até mesmo de grandes porções de água como o Mar Vermelho. Há notícia de uma nuvem que atravessou o Oceano Atlântico da África para o Caribe.

Em contrapartida...
Em alguns lugares, se o gafanhoto comeu o alimento dos humanos, acabam virando comida deles. Sim, há povos que se alimentam dos insetos. Apesar de incomuns à cultura ocidental em geral, são consumidos em áreas como o Vale do Jordão e a Arábia. Uma verdadeira iguaria, comida assada ou frita. É uma grande fonte de proteína em uma área em que ela geralmente é escassa por causa de outra fonte: o deserto.

Achou estranho? Voltemos à Bíblia. Em Levítico 11:21-22, Deus fala a Moisés e a Arão como os animais eram separados entre “puros” e “imundos”. Os primeiros eram permitidos como alimento para os seres humanos. Entre eles, alguns dos saltadores que tinham mais de quatro patas:

“Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie.” 

O Novo Testamento também mostra isso (Mateus 3:4) quando fala de uma pessoa muito importante na história do próprio Jesus Cristo – seu primo, João Batista:

“E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre.”

Portanto, nada tão novo para surpreender tanto.

sábado, 10 de novembro de 2012

Ciência na Bíblia - Evolução humana pelas mãos de Deus



Um terço dos norte-americanos acredita na teoria evolucionista, mas sob coordenação divina





O famoso Instituto Gallup realizou uma pesquisa nos Estados Unidos sobre a crença em relação à criação e à evolução, os dois polos de uma discussão que parece sem fim entre os defensores de cada versão. A maioria crê que o ser humano é criação Divina. Entretanto, o resultado surpreendeu: um terço dos entrevistados alega crer na teoria evolucionista do homem, mas comandada por seu Criador.

A pesquisa, realizada em todos os 50 estados norte-americanos, ofereceu aos entrevistados as seguintes alternativas:

1 – O ser humano evoluiu ao longo de milhões de anos a partir de formas mais primitivas de vida, mas com Deus guiando o processo.

2 – O ser humano evoluiu ao longo de milhões de anos a partir de formas mais primitivas de vida, mas Deus não participou.

3 – Deus criou os seres humanos exatamente como são hoje, de uma só vez, há cerca de 10 mil anos ou menos.

Dos que revelaram acreditar que o homem evoluiu com assistência Divina, 25% alegaram ir à igreja toda semana. Entre democratas e republicanos – uma referência bastante estadunidense, mas que mostra bem as diferenças ideológicas dos cidadãos –, a diferença na crença na evolução dirigida por Deus foi de apenas 1 ponto porcentual: 31% e 32%, respectivamente.

No entanto, a maioria dos entrevistados atestou acreditar que Deus criou o homem já como ele é hoje, e mantém sua crença em uma Terra bastante jovem, com milhares de anos.

domingo, 26 de agosto de 2012

Ciência na Bíblia - Camelo, o "navio do deserto"




Desde os tempos bíblicos o curioso animal é muito importante na subsistência dos povos de regiões áridas



“E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois que todos os bens de seu senhor estavam em sua mão, e levantou-se e partiu para Mesopotâmia,
para a cidade de Naor.

E fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto a um poço de água, pela tarde,
ao tempo que as moças saíam a tirar água.”
Gênesis 24:10-11

Nos tempos bíblicos, tal como hoje em regiões desérticas, um camelo era um bem preciosíssimo. “Feito” para o deserto, o grande mamífero pode ficar dias sem beber água e aguenta longos percursos como montaria ou transportador de cargas. São duas as espécies: o camelo-bactriano (Camelus bactrianus), com duas corcovas, e o dromedário (Camelus dromedarius), com uma só. Ambos são resistentes e úteis, com algumas particularidades.

Do gênero dos ungulados artiodáctilos (dois dedos de apoio em cada pata), o camelo tem os pés próprios para a areia. O formato chato na sola, com uma repartição no meio, permite que eles não afundem no solo arenoso e macio, por mais que carreguem peso (é como os modernos pneus de jipes, largos e com a superfície de contato com o solo bem distribuída, que permitem que o veículo não atole com facilidade). Por isso mesmo, suas pegadas (foto abaixo) não são tão fundas como a de outros bichos de montaria. Os sul-americanos guanaco, vicunha, lhama e alpaca também são do grupo dos camelídeos, bem adaptados a grandes altitudes e frio.



Algumas culturas utilizam do camelo o leite, a carne e a pele, além da lã para a confecção de roupas, mas o principal uso é mesmo como animal de tração. Há milênios é domesticado, sendo raríssimos os exemplares de vida selvagem, como nos parques ambientais da Austrália. Há três espécies já extintas.

A palavra camelo vem do grego kamelos, que por sua vez deriva do hebraico gāmāl, adaptado do árabe jamala (“suportar”, “carregar”). Povos antigos já o domesticavam cerca de 2 mil anos antes de Cristo. A vida útil do animal é longa:  pode chegar à idade de 50 anos, se bem tratado.

Corcovas

Um camelo pode ficar por longos períodos sem beber água e sem comer. Mas, ao contrário do que se acredita muito, as famosas corcovas de suas costas não são “cisternas”, reservatórios de água. São grandes depósitos de gordura, necessária à nutrição do animal. Se a gordura se espalhasse por todo o corpo, como na maioria dos mamíferos, o calor concentrado nele seria maior, já que o tecido adiposo conserva a temperatura, não deixando com que ela se perca para o ambiente com facilidade. Como ela se concentra nas corcovas, o resto do corpo não fica tão quente, garantindo a grande resistência do camelo ao calor.



Os rins e os intestinos do camelo são muito eficientes no que diz respeito à retenção de água. Ajudam a conservá-la no corpo, não sendo necessário que o animal precise bebê-la com tanta frequência. A urina, por exemplo, é viscosa, e as fezes bem secas (podem até ser usadas como lenha, nas fogueiras dos acampamentos), não ocasionando grande perda hídrica. A água fica espalhada na corrente sanguínea, nos glóbulos vermelhos, que chegam a aumentar 2,5 vezes para conter o líquido. Além disso, esses glóbulos são ovais, ao contrário dos de outros mamíferos, que são redondos – no primeiro caso, é mais fácil para circularem, mesmo quando há pouca água no organismo.

A pelagem espalhada também ajuda na refrigeração corporal, com fios longos somente onde é necessário um pouco mais de calor à noite. As narinas especiais do bicho permitem que não haja tanta perda de vapor de água quando ele expira, fazendo com que grande parte volte para o corpo.
Um camelo adulto pode chegar a tomar 200 litros de água de uma só vez, e alimenta-se preferencialmente de plantas suculentas e com muitos sais (que também ajudam a reter água).


Camelo e dromedário

Um camelo bactriano costuma ser mais obediente e dócil que um dromedário. Deixa-se apanhar e arrear com facilidade. Quando em uma caravana, se ele parar, é sinal de que a carga está caindo, o que chama a atenção dos tropeiros, que a reorganizam em cima do animal. Entretanto, de tão manso, chega a ser extremamente medroso. Se um pequeno animal como um cão desconhecido, ou mesmo uma lebre, cruzar seu caminho inadvertidamente, ele pode bater rapidamente em retirada, seguido por toda a cáfila.

Um dromedário pode atingir uma velocidade de 16 quilômetros por hora, por até 18 horas seguidas. Os camelos são mais lentos: atingem cerca de 5 quilômetros, mas aguentam bem mais peso sobre as costas.



A tolerância a ficar sem beber água por muito tempo é comum a ambos. Há registros de exemplares que já ficaram até 17 dias sem um único gole.

O dromedário é mais comum no Oriente Médio e na África, enquanto o camelo é mais encontrado naÁsia. Mas a domesticação fez com que o homem levasse exemplares dos dois para muitos lugares do planeta, misturando-os bem. Há camelos e dromedários em todos os continentes. Chegaram, inclusive, ao Brasil, nos tempos do Império, pois D. Pedro II achou que poderiam ser uma boa opção para os lugares com pouca água. Hoje, alguns são encontrados em praias turísticas do Nordeste, para passeio. Os Estados Unidos também tentaram usar os camelídeos para seu exército, mas abandonaram a ideia no século 20. Soldados ingleses os usaram em larga escala na exploração da África. Em alguns países como o Afeganistão, também é comum achar um deles puxando carroça, ao invés de levar cargas ou passageiros diretamente nas costas.

Nos tempos bíblicos, eram os animais mais valiosos dos rebanhos, tamanha a versatilidade e utilidade.

sábado, 25 de agosto de 2012

Ciência na Bíblia - O leão


"O "rei dos animais", por sua vitalidade e valentia, é frequentemente usado na Palavra como valoroso símbolo e personagem de vários trechos importantes"



O leão (Panthera leo) é um dos animais que mais suscitam a simbologia em todo o planeta – inclusive em países que não são seu habitat. Na Bíblia, é personagem de passagens muito importantes, como o confinamento de Daniel em um covil cheio deles e a luta que Sansão empreendeu com uma dessas feras, além de vários trechos em que é usado metaforicamente – como o “Leão da Tribo de Judá”, referência feita ao próprio Jesus.

É o segundo maior felino existente, depois do tigre. Alguns exemplares machos passam dos 250 quilos, mesmo assim com grande desenvoltura em seus movimentos e muita força, além de correrem a uma velocidade de até 80 quilômetros por hora. Um caçador nato, perigoso para seres humanos quando tem seu ambiente invadido.

Leões selvagens existem nos dias de hoje na África Subsaariana, na Ásia e na Índia (onde estão em vias de extinção, como já aconteceu em vários outros países). Há cerca de 10 mil anos, era o mamífero terrestre mais difundido pelo planeta depois do ser humano.

Um leão em cativeiro passa facilmente dos 20 anos de vida. Livre na natureza, um macho vive cerca de 10 a 14 anos – período mais breve por causa das constantes lutas com outros exemplares da mesma espécie.

Sua cor varia do amarelo claro ao marrom escuro. Os machos de quase todas as subespécies – com exceção de uma presente somente no Congo – apresentam uma farta juba, com um tufo de pelos na ponta da cauda. Os leões brancos são uma subespécie – não são albinos, embora isso possa acontecer com quase todos os animais. São mais raros, por se destacarem da vegetação das savanas, exclusivos da reserva de proteção ambiental Timbavati, na África do Sul.



Hoje, os leões encontrados na natureza estão concentrados nessas reservas, onde caçam outro mamíferos, como zebras, búfalos, antílopes e javalis. Há relatos até de elefantes sozinhos abatidos por grupos de leões.

Sua fama de “rei dos animais” se deve ao fato de o leão estar no topo da cadeia alimentar das espécies terrestres do planeta.

Vivem em grupos de até cerca de 40 indivíduos, a maioria fêmeas. Elas se encarregam da caça – por vezes auxiliadas pelos machos – e cuidam dos filhotes, enquanto os machos demarcam o território e protegem o grupo. Suas presas destroçam carne e couro com grande facilidade, assim como suas garras. A força de seus membros é impressionante.

Os leões dormem cerca de 16 a 20 horas por dia. Como gastam muita energia, precisam economizá-la.


Extinção

Além das áreas em que hoje ainda habita livre, leões eram encontrados em todo o Oriente Médio e na Europa. Na Grécia, por exemplo, a espécie foi extinta no século 10.

O principal motivo da escassez de leões no mundo atual é a caça, como não poderia deixar de ser.



Imposto de Renda

Por causa de uma campanha publicitária sobre a ação fiscalizadora da Receita Federal em relação aoImposto de Renda, veiculada em 1979, o leão, usado na propaganda, acabou se tornando símbolo da instituição.

Na Bíblia

O leão é símbolo, em várias culturas, de força, poder, justiça, orgulho e autoconfiança. Presente em milhares de brasões e escudos de várias instituições e lugares – como em um importante portão da Cidade Velha de Jerusalém (o dos Leões, detalhe na foto abaixo) e no estandarte da tribo de Judá.



O próprio Messias é comparado a um leão:

“E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.

E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?

E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.

E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele.

E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.”
Apocalipse 5:1-5

Sansão, famoso por sua força e valentia, topou com um leão (ilustração ao lado) quando ia visitar sua futura esposa filisteia. Venceu o animal sem o uso de armas.

O jovem Daniel era prisioneiro da Babilônia, quando aquele reino escravizou seu povo, retirando-o de Jerusalém. Foi selecionado para servir ao rei babilônico, Dario, e caiu nas graças do monarca por suas interpretações de sonhos e sabedoria.

Com inveja da proximidade de Daniel com o rei, outros membros da corte tramaram contra o rapaz. Influenciaram Dario a assinar um decreto em que, no período de 1 mês, nenhum deus fosse glorificado. Todas as glórias somente ao rei local. Se alguém fosse visto em adoração a outro que não fosse o governante babilônico, seria jogado em um covil de leões cativos e serviria de alimento às implacáveis feras.

Daniel não aceitou e, secretamente, curvava-se em adoração a Deus em seu quarto, três vezes por dia. Em uma das orações, foi descoberto, como assim planejavam seus inimigos.

Dario ficou triste com a notícia, mas não podia faltar com sua palavra perante os súditos. Ainda assim, tentou até o fim do dia livrar Daniel da sentença. Pressionado, mesmo triste, ordenou que jogassem o jovem, que tanto admirava e queria bem, aos predadores. O rei teve fé em Deus, embora ainda não o adorasse expressamente:

“Então o rei ordenou que trouxessem a Daniel, e lançaram-no na cova dos leões. E, falando o rei, disse a Daniel: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará.”
 Daniel 6:16

O rei não dormiu na noite em que seu estimado e admirado jovem foi lançado às feras no covil, logo depois lacrado. Dario não conseguiu dormir aquela noite. Pela manhã, foi à cova dos terríveis felinos e chamou por Daniel, esperançoso de Deus tê-lo preservado das presas e garras dos animais.

“E, chegando-se à cova, chamou por Daniel com voz triste; e disse o rei a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo, dar-se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha
podido livrar-te dos leões?

Então Daniel falou ao rei: O rei, vive para sempre!

O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum.

Então o rei muito se alegrou em si mesmo, e mandou tirar a Daniel da cova. Assim foi tirado Daniel da cova, e nenhum dano se achou nele, porque crera no seu Deus.

E ordenou o rei, e foram trazidos aqueles homens que tinham acusado a Daniel, e foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos os ossos.

Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e línguas que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada.

Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque ele é o Deus vivo e que permanece para sempre, e o seu reino não se pode destruir, e o seu domínio durará até o fim.

Ele salva, livra, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; ele salvou e livrou Daniel do poder dos leões.”